segunda-feira, 13 de outubro de 2008

o show do ano!!!


Show de fraldas do Emanuel, pra arrecadarmos bastante fraldinhas pra ele :)

Dia 18/10, às 18h, na Acadêmicos da Asa Norte

(setor de clubes norte, depois do Minas, ao lado do Cresspom)

Com a participação de várias bandas, de vários estilos: forró, mpb, rock... o papai vai tocar com as bandas dele e dos amigos, e talvez até a mamãe dê uma palhinha na guitarra :)

O ingresso é 01 pacote de fraldas Turma da Mônica tamanho M ou G.



quarta-feira, 8 de outubro de 2008

as últimas 5 semanas

Deve ser normal acordar todo dia sem saber o que pode acontecer: e se for hoje? Toda noite eu sonho algo relacionado ao meu filho, acho que estamos nos conhecendo melhor no plano astral.

A vida na cidade tem me aborrecido bastante, estou numa fase meio bicho do mato. Se pudesse me trancaria numa casinha perto de um riacho até o bebê nascer. O humor está uma sensibilidade total, me sinto um balão muito cheio prestes a estourar e esta foi a melhor imagem que eu encontrei pra me ilustrar neste momento.

Milhões de coisas ocupam a minha mente, e eu me impressiono com a facilidade com que eu me esqueço de todas elas. Juro que por alguns minutos chego até a esquecer que estou grávida! Claro que a barriga grande e pesada não me deixa esquecer por muito tempo. Mas é uma sensação muito estranha, de se perder tanto no meio das (pré)ocupações e se esquecer o momento que se está vivendo.

Quando o pai do Emanuel olha pra minha barriga, eu me sinto uma lua cheínha brilhando lá no céu. Ele olha tão admirado que eu volto a lembrar de como tudo isso é fascinante. Quando eu me olho no espelho, fico horas navegando por esse globo terrestre que é a minha barriga, me perco desenhando mapas e mais mapas ao seguir o desenho das veias na minha pele transparente.

É engraçado quando alguém me diz: "tem uma pessoa aí dentro". Eu mesma tenho dificuldade em visualizar esta idéia. Pensar que onde está o meu umbigo é mais ou menos a altura do coraçãozinho dele batendo, dois centros do universo pulsando juntos ao mesmo tempo no mesmo lugar. É uma comunhão mágica, que eu gostaria de ter tido mais tempo (e sensibilidade) pra sentir. Agora estou assim, querendo que este momento dure pra sempre e ao mesmo tempo roendo as unhas de ansieadade para o que está por vir. Pareço uma criança esperando o presente de natal. Só que o meu vai ser atecipado!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

alegria! alegria!

Papai, mamãe e Emanuel




Beijinhos das tias no Emanuel






notícias do sétimo mês

Tudo corre bem, a gravidez está super saudável e eu agradeço todos os dias esta experiência linda que estou passando.

O parto se aproxima, falta um mês e meio agora! Montamos o bercinho dele semana passada, estou pintando quadros de ovelhinhas todas bem branquinhas num pasto verde e céu azul para enfeitar o cantinho onde ele vai dormir.

Papai toca guitarra para ele, canta e ele já se manifesta em resposta. Levei a barriga pela primeira vez a um show movimentado, no Festival de Cultura Popular. Aparentemente, o Emanuel se amarrou em dançar côco e afoxé, foram os ritmos em que ele mais se mexeu dentro da minha barriga. Mas ele também curte um rock´n´roll assim como o pai, fomos assistir um show dele e o Emanuel ficou pulando aqui dentro, acho que tava tocando AIR GUITAR :)

Até agora engorei 7 kg em 7 meses, está dentro do normal, mas quem conhece o meu lado neurótico sabe o medo que me dá em ver o ponteiro da balança subir... e se não descer mais depois que o neném sair? Bobagem, eu sei, o importante mesmo é o meu bebê estar crescendo forte, saudável e feliz!

Medo mesmo é do parto... eu li umas porcarias que não fazem bem a ninguém, um capítulo de um livro sobre gravidez que contava sobre as complicações do parto. Querem um conselho? grávidas, cheguem ao hospital o mais ignorantes o possível neste assunto. Neste caso, realmente, A IGNORÂNCIA É UMA BÊNÇÃO. Agora eu vou me apegar á idéia de deixar a natureza (e o médico, hehe) cuidar do parto e seja o que for! Coragem, preciso inspirar coragem!

Segue uma foto do meu barrigão com as amigas e o papai ;)

nascer e renascer

Faz tanto tempo que não vinha a este lugar, que é tão familiar para mim. Ainda mais nesta época do ano em que o inverno acaba. Época de inspiração, de criação. Chegada de primavera, da chuva, época de florescer. O meu espírito sossega junto com as plantas, que também sofreram com a seca. Depois de meses frios e estéreis, parece que este clima sempre favorece uma ressurreição. Esta ligação para mim faz todo o sentido: Oxalá, criador da vida, também vem pela chuva e pelas nuvens, alguns dos seus elementos primordiais. No sincretismo, ele é Jesus, que representa o processo espiritual de vida-morte-vida, pelo qual todos nós passamos várias vezes. Eu passo por isso todos os anos, na transição do inverno (morte) para a primavera (vida).

Claro que este ano isto tudo está muito mais intenso e especial. Justamente nesta época em que todos os anos eu celebro a vida, é que me virá a manifestação mais especial de vida que eu poderia presenciar: o nascimento do meu filho. Junto com o meu renascimento. E em 2008, ano que é regido pela energia de Oxalá, o princípio da vida no universo.

Que esta enxurrada de vida permeie a todos, que o Emanuel seja muito bem-vindo, chegando junto com a chuva, a primavera, o verde, as flores. Viva!!!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A gravidez é um momento na imensidão do tempo

Serve para todos, grávidos e não-grávidos.
É um texto meio longo, mas quem lê os meus posts já está acostumado a ladainhas, mesmo :)
Falando sério, este texto me tocou muito. Às vezes o autor dá uma viajada, mas a essência do que ele diz ali realmente merece uma atenção especial e uma reflexão das nossas atitudes, com relação às crianças que vão nascer. É lindo, vale a pena ler.


http://www.joacir.com/a-gravidez-e-um-momento-na-imensidao-do-tempo

a cidade e a barriga

Não faltam histórias de grávidas que foram tratadas com grosseria em filas, meios de transporte, e até hospitais... eu fico abismada como a doença coletiva urbana deixa as pessoas tão hostis. É impressionante a falta de noção de certas pessoas. Isso pra não dizer falta de educação, respeito, humanidade, ética e por aí vai a lista.

Passei por duas situações semana passada que ilustram bem a mentalidade podre das pessoas. Mas também outras ilustram que sempre tem raríssimas e agradáveis exceções, que sempre surpreendem.

Abrindo a ala dos otários, a mulher que furou na minha frente a fila do caixa preferencial (sem ser nem idosa nem deficiente física nem estar com criança de colo) e ainda retrucou: "GRAVIDEZ NÃO É DOENÇA". Claro que isso rendeu um escândalo, eu fiquei puta da vida e falei em alto e bom tom pro mercado inteiro ouvir que gravidez não era doença, mas que a falta de educação dela era doença sim, e que eu tinha direito a passar no caixa antes dela. Acho muito chato fazer esse tipo de coisa mas foi mais do que necessário, fiz de propósito pra que servisse de lição a ela. Aquela mulher mereceu o vexame. Quanto a mim, não importa se eu paguei mico ou não. A atendente do caixa, claro, não deixou a mulher passar: mais uma vergonha que ela não precisava ter levado pra casa. Gente, respeitar o direito das pessoas não custa nada. Acho que essa daí aprendeu.

No dia seguinte, às 18h... as pessoas no metrô lotado ignoravam uma grávida (eu) em pé se equilibrando no meio do vagão. Depois do episódio desagradável da fila do caixa, eu já tinha desistido de brigar pelo meu direito. Não é algo pelo qual eu deveria ficar exigindo toda hora, e extrair alguma educação daquelas pessoas seria muito difícil. Por que as coisas não funcionam naturalmente? Fiquei ali quietinha, afinal a viagem estava tranqüila. De repente veio uma senhora de seus 70 anos, atravessou o vagão e me disse: "Moça, tem um lugar ali pra você". Era o assento dela, e eu não quis aceitar. Mas ela fez questão, e falou bem alto no vagão: "Pode sentar, ninguém mais levantou pra você, esse povo não tem educação. Sempre vejo as grávidas em pé e as pessoas nem ligam. Vai que a mulher cai ou desmaia, isso faz mal pro bebê". As pessoas continuaram ignorando, óbvio...

A mulher da fila no dia anterior era uma pessoa considerada normal, de classe média-alta, tinha um filho já adulto que estava com ela. Pelo pré conceito social, uma mulher assim seria uma cidadã digna, educada, civilizada. Ela deve ser bem tratada, mas não sabe em tratar os outros.

Já a senhora do metrô poderia estar aposentada mas precisa continuar trabalhando, deve ter filhos, netos, desce na última estação do metrô num bairro considerado favela. É humilde e simples e já deve ter sido muito humilhada pela sua condição socioeconômica. As pessoas que respeitam a mulher da fila pela sua aparência são as mesmas que tratam a esta senhora como um pária.

Isto é só pra ilustrar um pouco do que todo mundo já sabe: as pessoas estão cada vez piores, o mundo cada vez mais insano. Se eu for levar em consideração somente atitudes ridículas dos outros, eu ficaria desesperada com o mundo em que o meu filho vai nascer. Mas, sem exageros, a atitude daquela senhora ainda me dá esperanças de que a coisa tem jeito, sim.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Entregue-se e seja forte

"Um dos lemas encontrados no Tai Chi tanto quanto no processo do nascimento é 'entregue-se e seja forte'. Isto simplesmente significa que nossa força está em não lutar contra as coisas.

Especialmente durante o parto, lutar contra cada contração vai desgastar rapidamente sua energia, enquanto vizualizar cada contração como uma 'expansão' não apenas da respiração, mas literalmente do corpo, entendendo que o corpo está fazendo exatamente aquilo que ele precisa fazer para que o bebê saia, pode ajudar as coisas a correrem muito mais suaves.


Similarmente, na vida, quando nós recuamos e relaxamos de acordo com o fluxo, simplesmente respirando durante as provas (contrações) enquanto afirmamos que as coisas estão trabalhando para o nosso bem maior, nós experimentamos a expansão de nossa força."


Traduzido toscamente por mim, do artigo "Tai Chi During Pregnancy/ A Martial Arts Article", do site http://www.articlesphere.com/Article/Tai-Chi-During-Pregnancy/126084


As pessoas hoje costumam fazer um terrorismo sobre o momento do parto. Isto deve aumentar a dificuldade que as mulheres têm para ter um parto normal, ficando tensas e com pouca dilatação. É impressionante o número de histórias que ouço nas quais a mulher teve que fazer cesariana porque não teve dilatação. Acho que a grande maioria é porque não se tem o preparo psicológico para agüentar as contrações. A culpa não é das mulheres, e de forma alguma as estou criticando... mas critico sim o sistema clínico, que não tem estrutura para acolher a mulher como ela deveria ser acolhida.

Tomara que eu não pague a língua por criticar isso, e que eu tenha forças para manter a minha mente tranqüila na hora do parto. Que eu consiga me entregar e me lembrar de tudo isso que eu li enquanto as dores das contrações estiverem varrendo a minha mente de qualquer ensinamento que eu possa ter absorvido (ou não). Os médicos ajudam, as enfermeiras ajudam, o pai estando ao lado ajuda, mas eu também quero conseguir me ajudar.

A verdade é que a hora do parto é uma incógnita e estou consumindo bastante do meu pensamento em como será esta hora. Quero estar bem preparada e me entregar pro que tiver que ser. Se tiver que ser normal, que seja. Se tiver que ser cesárea, que seja também. Não sou radical, quem manda mesmo é o bebê e o seu bem-estar.

O ninho

Agora, chegando ao trimestre final da gravidez... avaliando os meses anteriores, sentindo saudade de cada fase que passou, recolhendo os aprendizados. E a qualquer momento o filho nos braços. Dá pra ver a mudança no meu olhar, na minha linguagem, no pensamento.

Uma coisa que percebo foi que passei a gravidez inteira bem recolhidinha, quietinha no meu ninho. Às vezes isso me incomodava e eu tentava forçar pra ser de outro jeito, o que me incomodava ainda mais. Mas acabei compreeendendo que, se o meu instinto está pedindo que eu fique mais voltada para o meu interior... bem, que assim seja.

Lembro que dias antes de ficar grávida eu sonhei com um ninho de águia e com um menino no ninho. E a águia me dizia coisas sobre cuidar da vida, sobre responsabilidade e força. Eu sentia que aquilo tudo que ela me dizia era muito sério. Está guardado aqui comigo.

Acho que esse meu estado de espírito reflete um pouco do sonho. Cá estou eu pousada no ninho da águia, treinando o meu olhar para enxergar longe, treinando as minhas asas para voar alto, treinando o coração pra agir na hora certa, e a mente pra ser forte, treinando o colo para a cria.
A mulher realmente fica em um estado meio selvagem quando está grávida.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Amor de Índio

Tudo o que move é sagrado
E remove as montanhas
Com todo o cuidado, meu amor.
Enquanto a chama arder,
Todo dia te ver passar,
Tudo viver ao teu lado
Com o arco da promessa
No azul pintado pra durar.

No inverno te proteger,
No verão sair pra pescar,
No outono te conhecer,
Primavera poder gostar
No destino que se cumpriu
De sentir teu calor e ser todo,
Todo dia é de viver
Para ser o que for e ser tudo.

Sim, todo amor é sagrado
É o fruto do trabalho
É mais que sagrado, meu amor.
A massa que faz o pão
Vale a luz do teu suor
Lembra que o sono é sagrado
E se alimenta de horizontes
O tempo acordado de viver.

No inverno te proteger
No verão sair pra pescar,
No outono te conhecer,
Primavera poder gostar.
No estio me derreter
Pra na chuva dançar e andar junto
O destino que se cumpriu
De sentir teu calor e ser tudo.

Abelha fazendo o mel
Vale o tempo que não voou
A estrela caiu do céu
O pedido que se pensou
No destino que se cumpriu
De sentir teu calor e ser todo
Todo dia é de viver
Para ser o que for e ser tudo
Para ser o que for...
Pra viver...


(muito lindo. esta é uma música que me faz explodir de amor pelo meu bebê e pelo pai dele)

segunda-feira, 28 de julho de 2008

ups and downs.

Quanto às emoções na gravidez, parei de me preocupar excessivamente. O meu bebê e eu ficamos mais fortes a cada dificuldade que passamos. Quando a mamãe chora, não sei o que acontece lá dentro pro bebê. Talvez pra ele o meu choro seja que nem uma chuva, que logo depois passa e tudo volta ao normal. Os gritos? Poderiam ser os trovões e raios lá fora. O que importa é que ele já vai aprendendo, desde a barriga, a encarar os desafios da vida. E o que importa para mim é todo este processo de descobrimento e adaptação. Não, eu não vou me tornar um Dalai-Lama só porque fiquei grávida. Também não, eu não posso mais dar os meus chiliques de drama queen. E assim as coisas vão se ajustando. Eu vou aprendendo, o bebê lá dentro também. Afinal, nós temos um trato. Ele sabia com quem estaria convivendo assim que escolheu a minha barriga pra morar :) E ao mesmo tempo ele também sabia que eu o amaria com tudo e topou vir ao mundo comigo. Que bom, porque nós vamos ser bons companheiros de
viagem!

sentir o bebê

Como explicar? É como se o meu coração descesse por uns instantes para o meu ventre e começasse a bater ali de dentro. Eu sinto os movimentinhos dele como pulsações, às vezes mais fortes, às vezes mais fracas. Fazem uma cosquinha gostosa e é bem relaxante. Não sei se vou poder dizer a mesma coisa quando ele estiver maior e começar a chutar o meu estômago ou as minhas costelas. Mas a sensação é essencialmente bela, não importa quando ocorra, se eu estou dirigindo, no trabalho ou até mesmo no meio da madrugada! O melhor é quando me deito e o papai põe a mão na barriga - a sensação se triplica. Os três estão ali, juntos, ligados no mesmo momento. Isso é o mais gostoso.

domingo, 15 de junho de 2008

Olha o Emanuel aí gente!


Ele com 18 semanas. Em breve, o video, se eu conseguir converter de DVD pro computador :P

... e os chutes!!!

Começaram esta semana, na transição entre a 18ª e a 19ª. O papai Gabriel ainda não sentiu, mas eu já senti algumas vezes (inclusive agora) e a sensação é de ter a certeza de que estou bem acompanhada. Espero que esteja aconchegante para o bebê lá dentro.

Nestas últimas semanas muitas portas lá fora se fecharam. É como a vida estivesse bloqueando todos os meios que eu tinha pra depender dos outros. E agora estou lutando pra sempre estar forte, estar bem, pra ser o melhor que eu puder, pelo meu bebê, por amor. É uma luta onde só se sai ganhando, e eu nunca tive um motivo melhor na vida do que este. O Emanuel já está sendo de longe o maior mestre que eu e Gabriel tivemos.

Já consigo pensar em sons e cores, meus e do meu filho, já consigo vizualizar de novo o futuro, e ter forças pra construir esse cenário pra ele. O que me deixa feliz é saber que posso viver pra mim, pro bebê, e pro pai dele. Tudo ao mesmo tempo, porque no final tudo é a mesma coisa, a mesma família, a mesma casa que vai precisar de todo mundo. Vai precisar do Gabriel tocando música, vai precisar do Emanuel brincando, vai precisar da Gabriela pintando. E os três cuidando.

Emanuel

Então, fiz há duas semanas o ultrasom pra ver o sexo do bebê!
Ele estava de novo de perninhas cruzadas, em lótus, acho que quer ser yogue. Mas deu pra ver no final que é um rapaz. E então vai se chamar Emanuel, como o papai e eu combinamos. Gravei em DVD e é apaixonante ver, nunca canso de assistir aquilo.

terça-feira, 3 de junho de 2008

nesta quinta

a grande novidade é que esta quinta eu vou ver o bebê de novo, pra saber se é menino ou menina!!! aí eu posto aqui, se dermos sorte o ultrasom vai estar FIGURATIVO desta vez, ao invés do abstrato do último :)

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Ultrasom de 3 meses

Não vou colocar fotos aqui, porque nem dá pra ver o bebê, são só manchas que eu e o papai conseguimos reconhecer. Tentei mostrar pra algumas pessoas: "aqui, o bracinho", "essa parte aqui é a cabeça", "olha ali o coração": e todo mundo olhava as imagens como se fossem pinturas abstratas. Aí desisti de mostrar. Só deu pra ver o neném direitinho mesmo ao vivo e, olha, foi a coisa mais mágica do mundo! Mal o médico colocou aquele aparelho geladinho em mim e lá estava o bebezinho, perninhas cruzadas quase em posição de lótus, aquele coraçãozinho batendo.
É uma maravilha que não tem como explicar. Eu estava ali conhecendo o meu filhinho: muito prazer, sou sua mamãe. Ainda não dá pra saber se é menino ou menina, mal posso esperar pra vê-lo de novo mês que vem e descobrir se vamos ter uma Helena ou um Emmanuel.
Antes dá aquele medo de "ai meu deus, e se o neném não estiver saudável?". E depois dá aquele alívio imenso de ver que está tudo ok. Aí nós, os pais, agradecemos a todos os deuses e deusas e passamos o dia inteiro apaixonados pela criaturinha que acabamos de ver.
Agora o medo volta: "será que ele ainda está bem?", sempre tem uma preocupação. E eu me dei conta de que isso vai ser pro reeeeeeeeeeeeeeeeeeesto da vida, é melhor me acostumar e aprender a confiar mais nos anjos da guarda que a gente tem. Porque se antes eu duvidava que as grávidas tinham algum tipo de proteção divina, agora eu sei que isso é verdade mesmo. Eu que o diga, pois já me tiraram de cada perigo! Viva mamãe Oxum e todas as mães-deusas.

Algumas coisas

Enfim consegui um pouquinho de tempo na frente do computador! Nunca mais escrevi porque, além da preguiça de ficar olhando uma tela brilhante, o meu tempo está ficando cada vez mais apertado. E eu com menos saco pra internet e essas coisas que eu gostava. Engraçado isso. Tenho preferido fazer coisas no papel, de computador basta no trabalho. Tenho me voltado para os livros, para as músicas que eu nunca ouvira antes, e só tenho pintado coisinhas de criança. Presto atenção no que como, mil idas a médicos, sempre acompanhando o bebê. Ando mais quieta, talvez até mais calada, reservando alguma coisa só pra mim que eu nem sei direito o que é. Economizando tudo o que é desnecessário. E as roupas, meu deus: eu vestindo legging, que sempre odiei! Ainda bem que sempre terão os vestidinhos pra me salvar.

Quanta mudança.

Ainda estou tentando me reconhecer no meio disso tudo. E ao mesmo tempo estou mais identificada com essa nova "eu-mãe" do que pensei que seria. É uma grande adaptação e agradeço os meses que ainda tenho pra me entender, pra ler e pintar qualquer bobagem e pra pensar no que fazer. As coisas seguem, eu tentando fazer o máximo que posso e tentando entender os meus limites. Aprendendo, talvez, pela primeira vez a respeitá-los. Antes da gravidez era sempre: ah, eu agüento forçar um poquinho mais. Agora nem dá, eu mesma pareço frágil como criança. Tendo que sair de casaquinho, pra não pegar sereno! É gostoso re-aprender a me cuidar, para também cuidar de dois.

Outro dia, na semana passada, acordei e pensei: nossa, está tudo em paz. Quase nunca consegui reconhecer isso com tanta facilidade. Na minha vida nunca teve muito espaço pra paz e agora tem e tem pra dois, ou melhor: três, porque quero paz pra família inteira. Pai, mãe, filho. É belo demais pensar em uma família assim novinha, pequenina, nascendo junto com o bebê. Nunca pensei que existiria isso na vida. Mas é real e não é tão difícil e careta quanto eu pensava: ao contrário, é emocionante e é uma delícia!

terça-feira, 15 de abril de 2008

devem ser as cores e as crianças que me mantêm viva


... tem essa música lindíssima, "The Colors and The Kids", da Catpower, que sempre foi um hino meu. porque a mim também as cores a as crianças me deixam viva. elas salvam vidas.
Quase 3 meses de gravidez. Às vezes penso que tenho apenas 6 meses pra consertar todos os meus defeitos, só 6 meses pra ficar perfeita, sem fazer nenhuma besteira, antes do bebê nascer. Fico pensando que tenho que ser uma super mãe sem nenhum fio de cabelo fora do lugar. Pensando que eu tenho que ser a pessoa mais bem sucedida do mundo pro meu filhinho poder me admirar. De vez em quando me pego frustrada por não ter nenhuma obra publicada, por não pintar todo dia, por não ser uma artista plástica reconhecida, por não ser a raínha da auto-estima, por não saber dizer "não", pelas minhas imaturidades e birras e criancices. Por não ser uma daquelas mulheres "maduras" e "bem resolvidas". Por isso, por aquilo e por aí vai. Um constante "work in progress" da vida. E o que eu faria com todas aquelas minhas fases e mutações? E as minhas inquietações? Fico frustrada por ainda não ter me formado.

Mas... peraí. Me formado em que?
O que eu queria antes ainda faz sentido?
O que é mais importante pra mim agora?

Agora, tudo mudou. E, sabem, não é tão ruim assim. Os mais egoístas dizem: "ah, a sua vida vai acabar". E acho que no fundo, lá no fundo, eu torcia pra que aquela vida do jeito que era antes acabasse mesmo. E ainda bem que foi por causa do neném, que é uma coisa boa.
Acabou o que?
Pra mim, está apenas começando. É uma novíssima chance, uma outra vida. Um renascimento. Tá, eu ainda não sou perfeita, nem sou a heroína do mundo. O neném ainda vai me ver chorar, ainda vai me ver brigar, mas ainda vai me ver sorrir, e vai me ver crescer. Ainda tenho que aprender muitas "disciplinas" e "responsabilidades", que a vida me cobra e que vai cobrar dele. Vou colocar uma criança ao mundo ainda no meu próprio processo de aprendizado. E quem garante que todo mundo está pronto? O meu filho vai ser meu grande professor. Enquanto aprendo a ser gente, vou ensinando ao meu filho o que eu for descobrindo.

O que importa é sempre, sempre, sempre ser verdadeira com ele. Se eu quiser chorar, não vou esconder. Ele vai descobrir que as pessoas não são de ferro, e vamos juntos aprender a lidar com os sentimentos humanos. E quando eu olhar pro meu filho sorrindo, vai ter sido a maior prova do mundo de que eu consegui!

algumas músicas que eu quero escutar com o meu filhote






1) Something to talk about, do Badly Drawn Boy.
A letra pode não ser tão bonitinha, mas a música é.

2) Spongebob & Patrick Confront the Psychic Wall of Energy, do Flaming Lips.
Divertido, divertido, e divertido! Com direito a bolinhas de sabão e pular na cama.

3) A Lenda das Sereias, da Clara Nunes.
Pra conhecer mamãe yemanjá e as histórias das sereias. E depois podemos desenhar o mar.

4) O Carimbador Maluco, do Raul Seixas.
Porque toda criança merece crescer ouvindo "plunct! plact! zum!"

Mais sugestões?

domingo, 13 de abril de 2008

stomach sick day

dia de enjôos, chuva, domingo. chatices pra comer, dramin e muito sono.
ainda bem que era domingo e que tinha chuva e filme.

começos...

ai. blogs de grávida. me parecem meio chatos. e o meu vai ser mais chato ainda, porque eu vou contar sobre os meus enjôos, sobre os meus peitos crescendo, sobre o que se passa na cabeça de alguém que teoricamente não estava pronta pra ser mãe.
só teoricamente, porque no fundo eu sempre soube. e quis.
e eu só descobri que estava preparada depois que veio o positivo no teste de farmácia.

eu lá escondida no banheiro da casa dos meus avós. domingo de aula de cursinho pra concurso. menstruação atrasada. e no banho da hora do almoço, o xixizinho naquele palito que muda de cor. já havia feito esse teste uma vez, nem lembro porque, anos atrás. uma tirinha, não-grávida. duas tirinhas, grávida.

lá na bula falam pra esperar 5 minutos. no meu as duas tirinhas apareceram na hora, mesmo assim eu ainda tentei deixar os 5 minutos, vai que deu errado. e a outra tirinha não desapareceu.

meu deus! e agora? fiquei olhando e relendo a bula nem sei quantas vezes. foi o banho mais revelador da minha vida. o teste do hospital também deu positivo. a médica disse que era de duas ou três semanas. e eu tentando lembrar qual das vezes deve ter sido!

"nunca existe um momento ideal, mas isso é sempre uma ba notícia", a médica disse toda gentil. e eu nem sei dizer como me senti: descobri que era algo pelo qual eu tinha esperado a vida inteira. fiquei feliz. pensei no dinheiro. fiquei com medo. pensei nas merdas que a minha mãe já fez, fiquei com mais medo ainda. pensei no cheirinho de bebê, nas roupinhas. fiquei apaixonada. pensei em contar pras pessoas, chorei de medo.

fui encontrar o pai do neném, teste na bolsa. morrendo de medo de contar pra ele. essa palavre se repetiu muito nos primeiros dias. aí fomos comer comida chinesa e eu contei pra ele porque tinha ido ao médico. mostrei o teste. e o olho dele brilhou como eu nunca havia visto antes. um sorriso. e aí eu senti que tudo ia ficar bem.