quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A gravidez é um momento na imensidão do tempo

Serve para todos, grávidos e não-grávidos.
É um texto meio longo, mas quem lê os meus posts já está acostumado a ladainhas, mesmo :)
Falando sério, este texto me tocou muito. Às vezes o autor dá uma viajada, mas a essência do que ele diz ali realmente merece uma atenção especial e uma reflexão das nossas atitudes, com relação às crianças que vão nascer. É lindo, vale a pena ler.


http://www.joacir.com/a-gravidez-e-um-momento-na-imensidao-do-tempo

a cidade e a barriga

Não faltam histórias de grávidas que foram tratadas com grosseria em filas, meios de transporte, e até hospitais... eu fico abismada como a doença coletiva urbana deixa as pessoas tão hostis. É impressionante a falta de noção de certas pessoas. Isso pra não dizer falta de educação, respeito, humanidade, ética e por aí vai a lista.

Passei por duas situações semana passada que ilustram bem a mentalidade podre das pessoas. Mas também outras ilustram que sempre tem raríssimas e agradáveis exceções, que sempre surpreendem.

Abrindo a ala dos otários, a mulher que furou na minha frente a fila do caixa preferencial (sem ser nem idosa nem deficiente física nem estar com criança de colo) e ainda retrucou: "GRAVIDEZ NÃO É DOENÇA". Claro que isso rendeu um escândalo, eu fiquei puta da vida e falei em alto e bom tom pro mercado inteiro ouvir que gravidez não era doença, mas que a falta de educação dela era doença sim, e que eu tinha direito a passar no caixa antes dela. Acho muito chato fazer esse tipo de coisa mas foi mais do que necessário, fiz de propósito pra que servisse de lição a ela. Aquela mulher mereceu o vexame. Quanto a mim, não importa se eu paguei mico ou não. A atendente do caixa, claro, não deixou a mulher passar: mais uma vergonha que ela não precisava ter levado pra casa. Gente, respeitar o direito das pessoas não custa nada. Acho que essa daí aprendeu.

No dia seguinte, às 18h... as pessoas no metrô lotado ignoravam uma grávida (eu) em pé se equilibrando no meio do vagão. Depois do episódio desagradável da fila do caixa, eu já tinha desistido de brigar pelo meu direito. Não é algo pelo qual eu deveria ficar exigindo toda hora, e extrair alguma educação daquelas pessoas seria muito difícil. Por que as coisas não funcionam naturalmente? Fiquei ali quietinha, afinal a viagem estava tranqüila. De repente veio uma senhora de seus 70 anos, atravessou o vagão e me disse: "Moça, tem um lugar ali pra você". Era o assento dela, e eu não quis aceitar. Mas ela fez questão, e falou bem alto no vagão: "Pode sentar, ninguém mais levantou pra você, esse povo não tem educação. Sempre vejo as grávidas em pé e as pessoas nem ligam. Vai que a mulher cai ou desmaia, isso faz mal pro bebê". As pessoas continuaram ignorando, óbvio...

A mulher da fila no dia anterior era uma pessoa considerada normal, de classe média-alta, tinha um filho já adulto que estava com ela. Pelo pré conceito social, uma mulher assim seria uma cidadã digna, educada, civilizada. Ela deve ser bem tratada, mas não sabe em tratar os outros.

Já a senhora do metrô poderia estar aposentada mas precisa continuar trabalhando, deve ter filhos, netos, desce na última estação do metrô num bairro considerado favela. É humilde e simples e já deve ter sido muito humilhada pela sua condição socioeconômica. As pessoas que respeitam a mulher da fila pela sua aparência são as mesmas que tratam a esta senhora como um pária.

Isto é só pra ilustrar um pouco do que todo mundo já sabe: as pessoas estão cada vez piores, o mundo cada vez mais insano. Se eu for levar em consideração somente atitudes ridículas dos outros, eu ficaria desesperada com o mundo em que o meu filho vai nascer. Mas, sem exageros, a atitude daquela senhora ainda me dá esperanças de que a coisa tem jeito, sim.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Entregue-se e seja forte

"Um dos lemas encontrados no Tai Chi tanto quanto no processo do nascimento é 'entregue-se e seja forte'. Isto simplesmente significa que nossa força está em não lutar contra as coisas.

Especialmente durante o parto, lutar contra cada contração vai desgastar rapidamente sua energia, enquanto vizualizar cada contração como uma 'expansão' não apenas da respiração, mas literalmente do corpo, entendendo que o corpo está fazendo exatamente aquilo que ele precisa fazer para que o bebê saia, pode ajudar as coisas a correrem muito mais suaves.


Similarmente, na vida, quando nós recuamos e relaxamos de acordo com o fluxo, simplesmente respirando durante as provas (contrações) enquanto afirmamos que as coisas estão trabalhando para o nosso bem maior, nós experimentamos a expansão de nossa força."


Traduzido toscamente por mim, do artigo "Tai Chi During Pregnancy/ A Martial Arts Article", do site http://www.articlesphere.com/Article/Tai-Chi-During-Pregnancy/126084


As pessoas hoje costumam fazer um terrorismo sobre o momento do parto. Isto deve aumentar a dificuldade que as mulheres têm para ter um parto normal, ficando tensas e com pouca dilatação. É impressionante o número de histórias que ouço nas quais a mulher teve que fazer cesariana porque não teve dilatação. Acho que a grande maioria é porque não se tem o preparo psicológico para agüentar as contrações. A culpa não é das mulheres, e de forma alguma as estou criticando... mas critico sim o sistema clínico, que não tem estrutura para acolher a mulher como ela deveria ser acolhida.

Tomara que eu não pague a língua por criticar isso, e que eu tenha forças para manter a minha mente tranqüila na hora do parto. Que eu consiga me entregar e me lembrar de tudo isso que eu li enquanto as dores das contrações estiverem varrendo a minha mente de qualquer ensinamento que eu possa ter absorvido (ou não). Os médicos ajudam, as enfermeiras ajudam, o pai estando ao lado ajuda, mas eu também quero conseguir me ajudar.

A verdade é que a hora do parto é uma incógnita e estou consumindo bastante do meu pensamento em como será esta hora. Quero estar bem preparada e me entregar pro que tiver que ser. Se tiver que ser normal, que seja. Se tiver que ser cesárea, que seja também. Não sou radical, quem manda mesmo é o bebê e o seu bem-estar.

O ninho

Agora, chegando ao trimestre final da gravidez... avaliando os meses anteriores, sentindo saudade de cada fase que passou, recolhendo os aprendizados. E a qualquer momento o filho nos braços. Dá pra ver a mudança no meu olhar, na minha linguagem, no pensamento.

Uma coisa que percebo foi que passei a gravidez inteira bem recolhidinha, quietinha no meu ninho. Às vezes isso me incomodava e eu tentava forçar pra ser de outro jeito, o que me incomodava ainda mais. Mas acabei compreeendendo que, se o meu instinto está pedindo que eu fique mais voltada para o meu interior... bem, que assim seja.

Lembro que dias antes de ficar grávida eu sonhei com um ninho de águia e com um menino no ninho. E a águia me dizia coisas sobre cuidar da vida, sobre responsabilidade e força. Eu sentia que aquilo tudo que ela me dizia era muito sério. Está guardado aqui comigo.

Acho que esse meu estado de espírito reflete um pouco do sonho. Cá estou eu pousada no ninho da águia, treinando o meu olhar para enxergar longe, treinando as minhas asas para voar alto, treinando o coração pra agir na hora certa, e a mente pra ser forte, treinando o colo para a cria.
A mulher realmente fica em um estado meio selvagem quando está grávida.