segunda-feira, 12 de maio de 2008

Ultrasom de 3 meses

Não vou colocar fotos aqui, porque nem dá pra ver o bebê, são só manchas que eu e o papai conseguimos reconhecer. Tentei mostrar pra algumas pessoas: "aqui, o bracinho", "essa parte aqui é a cabeça", "olha ali o coração": e todo mundo olhava as imagens como se fossem pinturas abstratas. Aí desisti de mostrar. Só deu pra ver o neném direitinho mesmo ao vivo e, olha, foi a coisa mais mágica do mundo! Mal o médico colocou aquele aparelho geladinho em mim e lá estava o bebezinho, perninhas cruzadas quase em posição de lótus, aquele coraçãozinho batendo.
É uma maravilha que não tem como explicar. Eu estava ali conhecendo o meu filhinho: muito prazer, sou sua mamãe. Ainda não dá pra saber se é menino ou menina, mal posso esperar pra vê-lo de novo mês que vem e descobrir se vamos ter uma Helena ou um Emmanuel.
Antes dá aquele medo de "ai meu deus, e se o neném não estiver saudável?". E depois dá aquele alívio imenso de ver que está tudo ok. Aí nós, os pais, agradecemos a todos os deuses e deusas e passamos o dia inteiro apaixonados pela criaturinha que acabamos de ver.
Agora o medo volta: "será que ele ainda está bem?", sempre tem uma preocupação. E eu me dei conta de que isso vai ser pro reeeeeeeeeeeeeeeeeeesto da vida, é melhor me acostumar e aprender a confiar mais nos anjos da guarda que a gente tem. Porque se antes eu duvidava que as grávidas tinham algum tipo de proteção divina, agora eu sei que isso é verdade mesmo. Eu que o diga, pois já me tiraram de cada perigo! Viva mamãe Oxum e todas as mães-deusas.

Algumas coisas

Enfim consegui um pouquinho de tempo na frente do computador! Nunca mais escrevi porque, além da preguiça de ficar olhando uma tela brilhante, o meu tempo está ficando cada vez mais apertado. E eu com menos saco pra internet e essas coisas que eu gostava. Engraçado isso. Tenho preferido fazer coisas no papel, de computador basta no trabalho. Tenho me voltado para os livros, para as músicas que eu nunca ouvira antes, e só tenho pintado coisinhas de criança. Presto atenção no que como, mil idas a médicos, sempre acompanhando o bebê. Ando mais quieta, talvez até mais calada, reservando alguma coisa só pra mim que eu nem sei direito o que é. Economizando tudo o que é desnecessário. E as roupas, meu deus: eu vestindo legging, que sempre odiei! Ainda bem que sempre terão os vestidinhos pra me salvar.

Quanta mudança.

Ainda estou tentando me reconhecer no meio disso tudo. E ao mesmo tempo estou mais identificada com essa nova "eu-mãe" do que pensei que seria. É uma grande adaptação e agradeço os meses que ainda tenho pra me entender, pra ler e pintar qualquer bobagem e pra pensar no que fazer. As coisas seguem, eu tentando fazer o máximo que posso e tentando entender os meus limites. Aprendendo, talvez, pela primeira vez a respeitá-los. Antes da gravidez era sempre: ah, eu agüento forçar um poquinho mais. Agora nem dá, eu mesma pareço frágil como criança. Tendo que sair de casaquinho, pra não pegar sereno! É gostoso re-aprender a me cuidar, para também cuidar de dois.

Outro dia, na semana passada, acordei e pensei: nossa, está tudo em paz. Quase nunca consegui reconhecer isso com tanta facilidade. Na minha vida nunca teve muito espaço pra paz e agora tem e tem pra dois, ou melhor: três, porque quero paz pra família inteira. Pai, mãe, filho. É belo demais pensar em uma família assim novinha, pequenina, nascendo junto com o bebê. Nunca pensei que existiria isso na vida. Mas é real e não é tão difícil e careta quanto eu pensava: ao contrário, é emocionante e é uma delícia!