terça-feira, 15 de abril de 2008

devem ser as cores e as crianças que me mantêm viva


... tem essa música lindíssima, "The Colors and The Kids", da Catpower, que sempre foi um hino meu. porque a mim também as cores a as crianças me deixam viva. elas salvam vidas.
Quase 3 meses de gravidez. Às vezes penso que tenho apenas 6 meses pra consertar todos os meus defeitos, só 6 meses pra ficar perfeita, sem fazer nenhuma besteira, antes do bebê nascer. Fico pensando que tenho que ser uma super mãe sem nenhum fio de cabelo fora do lugar. Pensando que eu tenho que ser a pessoa mais bem sucedida do mundo pro meu filhinho poder me admirar. De vez em quando me pego frustrada por não ter nenhuma obra publicada, por não pintar todo dia, por não ser uma artista plástica reconhecida, por não ser a raínha da auto-estima, por não saber dizer "não", pelas minhas imaturidades e birras e criancices. Por não ser uma daquelas mulheres "maduras" e "bem resolvidas". Por isso, por aquilo e por aí vai. Um constante "work in progress" da vida. E o que eu faria com todas aquelas minhas fases e mutações? E as minhas inquietações? Fico frustrada por ainda não ter me formado.

Mas... peraí. Me formado em que?
O que eu queria antes ainda faz sentido?
O que é mais importante pra mim agora?

Agora, tudo mudou. E, sabem, não é tão ruim assim. Os mais egoístas dizem: "ah, a sua vida vai acabar". E acho que no fundo, lá no fundo, eu torcia pra que aquela vida do jeito que era antes acabasse mesmo. E ainda bem que foi por causa do neném, que é uma coisa boa.
Acabou o que?
Pra mim, está apenas começando. É uma novíssima chance, uma outra vida. Um renascimento. Tá, eu ainda não sou perfeita, nem sou a heroína do mundo. O neném ainda vai me ver chorar, ainda vai me ver brigar, mas ainda vai me ver sorrir, e vai me ver crescer. Ainda tenho que aprender muitas "disciplinas" e "responsabilidades", que a vida me cobra e que vai cobrar dele. Vou colocar uma criança ao mundo ainda no meu próprio processo de aprendizado. E quem garante que todo mundo está pronto? O meu filho vai ser meu grande professor. Enquanto aprendo a ser gente, vou ensinando ao meu filho o que eu for descobrindo.

O que importa é sempre, sempre, sempre ser verdadeira com ele. Se eu quiser chorar, não vou esconder. Ele vai descobrir que as pessoas não são de ferro, e vamos juntos aprender a lidar com os sentimentos humanos. E quando eu olhar pro meu filho sorrindo, vai ter sido a maior prova do mundo de que eu consegui!

algumas músicas que eu quero escutar com o meu filhote






1) Something to talk about, do Badly Drawn Boy.
A letra pode não ser tão bonitinha, mas a música é.

2) Spongebob & Patrick Confront the Psychic Wall of Energy, do Flaming Lips.
Divertido, divertido, e divertido! Com direito a bolinhas de sabão e pular na cama.

3) A Lenda das Sereias, da Clara Nunes.
Pra conhecer mamãe yemanjá e as histórias das sereias. E depois podemos desenhar o mar.

4) O Carimbador Maluco, do Raul Seixas.
Porque toda criança merece crescer ouvindo "plunct! plact! zum!"

Mais sugestões?

domingo, 13 de abril de 2008

stomach sick day

dia de enjôos, chuva, domingo. chatices pra comer, dramin e muito sono.
ainda bem que era domingo e que tinha chuva e filme.

começos...

ai. blogs de grávida. me parecem meio chatos. e o meu vai ser mais chato ainda, porque eu vou contar sobre os meus enjôos, sobre os meus peitos crescendo, sobre o que se passa na cabeça de alguém que teoricamente não estava pronta pra ser mãe.
só teoricamente, porque no fundo eu sempre soube. e quis.
e eu só descobri que estava preparada depois que veio o positivo no teste de farmácia.

eu lá escondida no banheiro da casa dos meus avós. domingo de aula de cursinho pra concurso. menstruação atrasada. e no banho da hora do almoço, o xixizinho naquele palito que muda de cor. já havia feito esse teste uma vez, nem lembro porque, anos atrás. uma tirinha, não-grávida. duas tirinhas, grávida.

lá na bula falam pra esperar 5 minutos. no meu as duas tirinhas apareceram na hora, mesmo assim eu ainda tentei deixar os 5 minutos, vai que deu errado. e a outra tirinha não desapareceu.

meu deus! e agora? fiquei olhando e relendo a bula nem sei quantas vezes. foi o banho mais revelador da minha vida. o teste do hospital também deu positivo. a médica disse que era de duas ou três semanas. e eu tentando lembrar qual das vezes deve ter sido!

"nunca existe um momento ideal, mas isso é sempre uma ba notícia", a médica disse toda gentil. e eu nem sei dizer como me senti: descobri que era algo pelo qual eu tinha esperado a vida inteira. fiquei feliz. pensei no dinheiro. fiquei com medo. pensei nas merdas que a minha mãe já fez, fiquei com mais medo ainda. pensei no cheirinho de bebê, nas roupinhas. fiquei apaixonada. pensei em contar pras pessoas, chorei de medo.

fui encontrar o pai do neném, teste na bolsa. morrendo de medo de contar pra ele. essa palavre se repetiu muito nos primeiros dias. aí fomos comer comida chinesa e eu contei pra ele porque tinha ido ao médico. mostrei o teste. e o olho dele brilhou como eu nunca havia visto antes. um sorriso. e aí eu senti que tudo ia ficar bem.